Redatora de saúde e bem-estar, autora de reportagens sobre alimentação, família e estilo de vida.
O caviar continua sendo um dos grandes estereótipos do luxo gastronômico. No entanto, a Geração Z, os nascidos entre o final dos anos 90 e o início dos anos 2000, talvez não esteja tão interessada no caviar, mas sim em reivindicar ou valorizar outros tipos de produtos que, por meio de novas histórias e novas embalagens, estão superando a reticência normalmente associada a eles.
O caviar, como paradigma, é na verdade uma conserva de peixe. Mais especificamente, das ovas de diversas variedades de esturjão. É um método de preservação que alcançou a categoria de iguaria, especialmente devido à dificuldade de obtê-lo, o que condicionou seu preço durante séculos. Até agora, a aquicultura tem proporcionado uma forma e uma solução mais acessível para as pérolas negras que faziam a delícia de czares e cossacos.
Entretanto, a geração Z está redescobrindo o gosto pelas conservas, pelo menos nos Estados Unidos, a ponto de considerá-las um item de presente e uma certa evolução culinária. Nada que não saibamos há décadas, já que o enlatamento foi muito além de aumentar a vida útil de determinados produtos, tornando-se um item gourmet, se é que já existiu.
A verdade é que a tendência chegou até mesmo ao TikTok, onde, por exemplo, a hashtag #tinnedfish acumulou mais de 57 milhões de reproduções. Podemos dizer, de certa forma, que eles agora estão descobrindo a América e que, por trás de um peixe enlatado, pode haver um produto de delicatessen lindamente embalado.
Eles dão o exemplo da marca Fishwife, que se orgulha de fazer conservas de peixe éticas. Uma empresa liderada por mulheres e onde a embalagem foi muito bem cuidada, apresentando rótulos qualitativos e bem desenhados, fazendo com que suas latas de atum valham mais de 20 euros cada.
“A geração Z quer luxo, mas precisa pagar suas contas. O peixe enlatado preencheu esse nicho perfeitamente”, explicou o relatório sobre o aumento do peixe enlatado premium que agora está sendo visto com mais frequência nos Estados Unidos.
Um mundo ao qual, evidentemente, eles estão chegando tarde e com força, mesmo que afirmem estar redescobrindo a pólvora ou reinventando a roda.
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