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O que está por trás da mente de um psicopata (e como ajudá-lo)

As psicopatias envolvem comportamentos que se mantêm ao longo do tempo, e o conceito de psicopata é um dos menos bem definidos em toda a psiquiatria

O termo "psicopata" teria aparecido pela primeira vez na década de 40 do século XIX e teria sido usado pela primeira vez pelo médico e filósofo austríaco Barão Ernst von Feuchtersleben. Feuchterslebn utilizou o termo como sinônimo de doença psíquica e assim fez também Freud, em seu único artigo usando este termo, publicado postumamente em 1942. É neste sentido, também, que o termo aparece no Decreto 24.559 da legislação brasileira, de 1934, que "dispõe sôbre a profilaxia mental, a assistência e proteção à pessoa e aos bens dos psicopatas, a fiscalização dos serviços psiquiátricos e dá outras providências".

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De modo geral, pode-se dizer que o conceito de psicopata é um dos menos bem definidos, em toda a psiquiatria e ainda haverá, mesmo sendo otimista, necessidade de muitos anos de pesquisas para se ter um conhecimento mais profundo e preciso deste tipo de transtorno.

Um autor importante na história do conceito de psicopatia foi Kurt Schneider, que considerou as personalidades psicopáticas como sendo formas acentuadas das personalidades anormais. Considerava que personalidades anormais eram semelhantes às encontradas na população geral, porém seus traços eram quantitativamente diferentes. Na tipologia de Schneider, foram definidas as seguintes personalidades psicopáticas:

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Certamente, qualquer pessoa normal pode ter alguma característica das citadas e isto não a torna uma psicopata. O psicopata, num sentido mais amplo, é uma pessoa que tem características de personalidade que lhe trazem sofrimento ou à sociedade, ao longo de sua vida.

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Apesar de, historicamente, haver várias conceituações, frequentemente se usa o termo "psicopata" num sentido mais restrito, do "hipotímico", pessoas frias de sentimentos, incapazes de empatizar com o sofrimento alheio e que, muitas vezes, acabam assumindo atitudes e tendo comportamentos socialmente prejudiciais. Principalmente na linguagem do dia-a-dia, frequentemente são chamados de "sociopatas".

Por outro lado, a Associação Psiquiátrica Americana, em seu manual de diagnóstico, não usa o termo "psicopata" e, para as pessoas que tenham alterações graves de personalidade, utiliza a expressão "transtorno da personalidade". Ele lista os seguintes:

O manual cita também a possibilidade de alguns casos de alterações da personalidade terem origem em alterações clínicas como, por exemplo, lesões cerebrais.

Como ajudar um psicopata?

Primeiramente, como em todos os casos de transtornos psiquiátricos, o ideal é que se consulte um especialista. Se for impossível levar, para avaliação, a pessoa com suspeita de psicopatia, a entrevista com quem a conhece bem pode levar ao diagnóstico ou, pelo menos, possibilitar que a suspeita seja melhor fundamentada. Por vezes, há necessidade até de, mantidos os preceitos éticos, obter informações de vários familiares ou mesmo de ex-professores, orientadores de ensino e outras pessoas que tenham tido contato mais prolongado e possam ter feito observações relevantes.

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Isto é tão mais importante pelo fato de que a presença de um transtorno de personalidade pode trazer consequências graves para o indivíduo e a sociedade e, como seu tratamento é difícil e nem sempre bem sucedido, leva a uma grande estigmatização. Assim, o profissional deve ter extremo cuidado em fazer este diagnóstico.

Uma característica importante das psicopatias é que elas se tornam mais claras no começo da idade adulta, quando a personalidade já está formada. As psicopatias envolvem comportamentos que se mantêm ao longo do tempo, diferentemente, por exemplo, de episódios depressivos ou surtos psicóticos, que tem, grosso modo, um começo, um meio e um fim (mesmo que este decurso seja longo ou que os sintomas não desapareçam totalmente). Assim, ajudar a pessoa com transtorno de personalidade baseia-se principalmente em ajudá-la a lidar com os comportamentos que lhe trazem sofrimento (e, geralmente, também aos que convivem com ela).

Frequentemente, as pessoas com transtorno de personalidade não têm consciência da relação entre seus comportamentos e o sofrimento que trazem ? elas descrevem suas desventuras e dificuldades e não percebem sua origem ou, outras vezes, as atribuem às pessoas com que se relacionam, culpando-as por seus problemas. Além das diferenças individuais, as pessoas com transtornos de personalidade tem funcionamento mental diverso, dependendo do tipo: como exemplos, pessoas borderline sentem-se com facilidade abandonadas e o abandono pode levar a sentimentos de ódio e comportamento vingativo; os antissociais podem sentir que estão sendo "passados para trás" e que as pessoas falham em realizar todos os seus desejos; o paranoide pode desenvolver uma desconfiança excessiva em seus relacionamentos e retrair-se ou planejar defesas que podem, eventualmente, envolver agressão; o obsessivo sente-se frustrado quando as pessoas se negam a se submeter ao seu controle, o que também pode gerar agressividade.

Raramente é possível confrontar o psicopata dizendo-lhe de modo cru e nu que ele é a origem dos problemas. Este tipo de atitude pode aumentar sua resistência em mudar, ao invés de ajudá-lo. Assim, o que a família pode fazer é colocar limites objetivos, dependendo de cada caso e procurar reforçar os comportamentos positivos. Entretanto, não há uma orientação geral com respeito ao que se deve fazer. Este tipo de orientação precisa de um especialista.

Quando se consulta um especialista, primeiramente este faz o diagnóstico para verificar se há um transtorno da personalidade e, se houver, descobrir qual tipo é. Apesar de não haver medicações específicas para nenhum transtorno da personalidade, a presença de transtornos do humor, transtornos ansiosos e de uso de substâncias tende a ser mais frequente que na população geral. O tratamento destes quadros clínicos pode melhorar a evolução da pessoa com transtorno da personalidade.

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Certamente, em casos de transtorno da personalidade, a psicoterapia é a ferramenta mais indicada. Seus resultados são em geral lentos e a dificuldade em se chegar a resultados (e por vezes chegar a eles, mas haver em seguida um retrocesso) pode ser frustrante para a família, o paciente e mesmo o psicoterapeuta, se não estiver bem preparado para estas situações.

Há várias abordagens psicoterápicas e, no caso dos transtornos de personalidade, não há demonstração de que alguma delas seja especialmente eficaz. Abordar estes pacientes e suas famílias requer que o terapeuta seja criativo, tenha bom senso, consiga fazer uma boa relação com o paciente, incluindo resistir a frustrações pelas dificuldades encontradas. Sabe-se, também, que terapeutas com mais anos de experiência tendem a ser mais eficazes, apesar de isto não ser uma regra absoluta. Uma estratégia válida (para o terapeuta) é não abordar o paciente com críticas ou sermões, mas ajudá-lo a perceber a relação que existe entre seus comportamentos e seu sofrimento ou o sofrimento que traz a outras pessoas. Isto pode ser apresentado como uma "estratégia" ou seja, sem juízo de valores, o terapeuta sugere que o paciente aprenda novas estratégias comportamentais para chegar melhor aos seus objetivos. No decorrer da terapia, também é importante abordar as emoções dos pacientes, seus sentimentos e modos de ver o mundo e processar as informações.

Finalmente, internações só devem ser feitas se o paciente tiver uma justificativa idêntica às que são usadas como critério em pessoas normais como, por exemplo, depressões com risco de suicídio ou surtos psicóticos graves. A internação somente pelos comportamentos psicopáticos pode mesmo piorar o quadro, porque o que se aprende num ambiente artificial, mesmo que não haja coerção, frequentemente não leva a uma melhora do comportamento quando a pessoa sai de alta.

Referências bibliográficas