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Um estudo realizado pela Universidade de Michigan (EUA) diz que as pessoas que foram infectadas com a bactéria Helicobacter pylori - conhecida por causar úlcera - são duas vezes mais propensas a desenvolver diabetes, sobretudo do tipo 2. Alguns estudos anteriores já observaram resultados sobre essa associação, mas os pesquisadores afirmam que essas pesquisas fizeram avaliações momentâneas, ou seja, nenhuma delas acompanhou os participantes por um tempo relevante.
Neste novo estudo, divulgado na revista Diabetes Care, os pesquisadores acompanharam cerca de 800 pessoas por uma década. Nenhuma delas tinha diabetes tipo 2, o tipo relacionado com excesso de peso, no início da pesquisa. Depois de analisar fatores como doença vascular, tabagismo e excesso de peso, os autores observaram que o risco de desenvolver diabetes foi 2,7 vezes maior entre o grupo de pessoas que tiveram a infecção pela bactéria.
Segundo os especialistas, cerca de dois terços das pessoas em todo o mundo já foram infectadas com H. pylori, mas a maioria nunca sentiu qualquer sintoma. Essa bactéria é muito conhecida por causar dores estomais, gastrites e até úlceras.
Os resultados sugerem que esta é uma relação causal, mas ainda faltam estudos para explicar melhor esse efeito. "Não está claro o motivo de H. pylori e diabetes estarem relacionados, embora existam especulações de que as bactérias possam alterar as condições no intestino ou promover a inflamação que contribui para a doença", dizem os pesquisadores.
Os especialistas no assunto enfatizam que a infecção pela bactérias pode ser tratada, evitando a alteração e inflamação intestinal, apontadas como possíveis causas da relação com o diabetes.
Saiba mais: Vídeo: Previna o diabetes
Você sabe controlar o diabetes tipo 2?
Um dos principais vilões da nossa saúde é a alimentação inadequada, que pode levar ao sobrepeso e à obesidade. Estes, por sua vez, são fatores desencadeadores de doenças como o diabetes tipo 2. Segundo dados do Ministério da Saúde, o diabetes já afeta cerca de 246 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, a ocorrência na população acima de 18 anos é de 5,8%. Veja a seguir se você segue à risca as orientações para manter o diabetes controlado.
Mel, açúcar mascavo e caldo de cana
De acordo com a endocrinologista e nutróloga Ellen Paiva, todos esses são açúcares como qualquer outro e, por isso, provocam uma demanda muito grande de insulina, elevando a glicemia dos diabéticos. "A regra para eles é a mesma para o açúcar refinado e cristal. Não é proibido, mas deve ser consumido com muita moderação e atenção às glicemias", explica a especialista.
Fibras
Os alimentos com fibras são grandes aliados dos diabéticos, pois reduzem o esvaziamento gástrico e a absorção da glicose. Ellen conta que sempre que o diabético ingerir alimentos integrais como pães, arroz, feijão, grão de bico e lentilha, além das frutas, verduras e legumes, estará aumentando seu consumo de fibras e melhorando a ação da insulina. É importante tomar cuidado no caso dos pães e arroz, já que eles possuem carboidratos que, em excesso, podem ser prejudiciais ao diabético.
Açúcar de adição
O açúcar de adição - que é aquele proveniente da adição de açúcar cristal, refinado e mascavo nos alimentos - deve ser consumido com muita moderação, mas, assim como qualquer outro alimento, não precisa ser totalmente cortado da dieta.
Atividade física
"A atividade física é um grande aliado no controle glicêmico. Diabéticos que praticam exercícios físicos conseguem um peso ideal com maior facilidade e necessitam muito menos medicações, incluindo insulina", diz Ellen.
Bebidas alcoólicas
"O paciente com diabetes pode ingerir bebidas alcoólicas, desde que em condições especiais e em quantidades moderadas", recomenda a nutróloga e endocrinologista Ellen. Os maiores riscos são os quadros de hipoglicemia quando o paciente ingere bebida alcoólica sem se alimentar ou, o outro extremo, a hiperglicemia, que pode ocorrer com o abuso do álcool. A recomendação, portanto, é não abusar da bebida e nunca ingerir álcool de estômago vazio.