
Formado em fisioterapia pela Unifor (Universidade de Fortaleza) em 1985. Participou de cursos e estágios na Europa (Podo...
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Você já parou para pensar que aquela dor recorrente nas costas ou no pescoço, por exemplo, pode estar associada às funções que você desempenha em sua profissão? A realização profissional e o empenho são fatores importantes, mas muitas vezes, por descuido ou falta de informação, podem ocasionar problemas à saúde.
Uma coisa é fato. O automatismo, a internet, as especificidades profissionais e muitos outros fatores fazem com que as pessoas fiquem mais paradas. Logo, cada vez mais, trabalhamos realizando tarefas pontuais, de movimentos repetitivos e de pouca variação. Sendo assim, indivíduos que trabalham muitas horas sentados costumam apresentar muitas dores e problemas de coluna ao longo do tempo. Isso porque essa posição é responsável pelas alterações dos ângulos do quadril e da coluna que, comumente, são os principais causadores de dores, de lesões degenerativas e outros malefícios.
Uma boa dica para quem precisa trabalhar sentado é optar por intervalos para realizar alguns alongamentos do corpo ou uma leve caminhada. Também é importante investir na boa alimentação para evitar o sobrepeso e prejudicar ainda mais a coluna enquanto estiver sentado. Observe sempre sua postura, não relaxe: sente-se com o bumbum próximo do encosto da cadeira e os calcanhares devem alcançar o chão. Para ajudar na manutenção da curvatura lombar ao se sentar, procure colocar uma pequena almofada nesta região.
Trabalhando em pé
Pessoas que trabalham em pé também apresentam queixas em relação à saúde, como é o caso de funcionários que atuam em linhas de montagem, por exemplo, que também estão suscetíveis a problemas na coluna vertebral. A razão é que essa postura coloca o centro corporal da gravidade adiante da coluna vertebral, o que a mantém sob um momento constante de inclinação anterior. O esforço muscular não causa, apenas, cansaço nas pernas, o peso do corpo também causa pressão sobre o eixo da coluna vertebral ao longo do dia. É um ciclo vicioso com a produção de desequilíbrios musculares. E para se manter ereto, o profissional acaba submetendo os músculos da postura estática a um estado constante de tensão.
Muitas vezes, considera-se que a postura em pé no trabalho seja a mais correta, uma vez que nessa posição as curvaturas da coluna estão em alinhamento correto, reduzindo as pressões sobre o disco intervertebral. Entretanto, a manutenção da posição por longo período conduz ao uso assimétrico dos membros inferiores, apoiando o peso de forma alternada entre as pernas. Músculos e articulações envolvidos na sustentação dessa posição acabam sendo prejudicados pela solicitação contínua, logo a musculatura cansa e tende a enfraquecer, levando a alterações posturais.
A fim de reduzir a solicitação muscular dos membros inferiores, além de aliviar esse excesso de pressão sobre a região lombar, evitando, consequentemente, complicações sérias é importante investigar a possibilidade de projetar o posto de trabalho, de modo a viabilizar uma alternância da postura sentada com a postura em pé.
Carregando peso
Quando o profissional trabalha com o carregamento de peso, deve levar em consideração a forma de levantá-lo e a sua própria massa corporal com relação ao objeto. É importante lembrar que quanto mais prolongado for o tempo de permanência com o peso e a postura ao carregá-lo estiver incorreta, mais danos o profissional trará para sua coluna.
Ao se inclinar para pegar algum objeto, principalmente, se ele estiver no chão, o indivíduo deve ter muita atenção com a postura utilizada: é fundamental manter os joelhos semiflexionados, os pés afastados e o abdômen contraído, a coluna deve permanecer reta (nunca dobre o tronco), realizando força, apenas, nas pernas para erguer o peso; a carga deve estar próxima ao corpo para um maior conforto em transportá-la e nunca deve ser carregada na cabeça (pois compromete o equilíbrio e comprime as vértebras cervicais da coluna), mas com uma boa distribuição do peso nos braços.
Lembre-se sempre que a dor de caráter crônico de longa duração, caracteriza-se por durar mais de três meses, causando grande incapacidade funcional, laborativa, social e familiar.