
Redatora de saúde e bem-estar, autora de reportagens sobre alimentação, família e estilo de vida.

Cada geração tem suas próprias prioridades e costumes, que mudam de acordo com o contexto e as vivências de cada época. Sendo assim, a experiência de vida dos baby boomers e dos membros da geração Z é oposta em muitos aspectos, e não parece que sua forma de pensar vá mudar. Pelo menos, não nesses quatro pontos.
Ferramenta ou vício
1. Relacionamento com a tecnologia
Há uma lacuna particularmente acentuada entre a Geração Z e os baby boomers quando se trata de seu relacionamento com a tecnologia. Isso é amplamente influenciado pelo fato de que alguns viveram a maior parte de suas vidas em um mundo analógico, enquanto os outros nasceram em um mundo digitalizado. Assim, os baby boomers podem não considerar a tecnologia importante para sua vida diária, mas para a Geração Z ela é uma ferramenta essencial.
Um bom exemplo de como os baby boomers são mais relutantes ou mais lentos para incorporar a tecnologia em seus hábitos pode ser encontrado em um estudo que constatou que eles são a geração que menos compra celulares.
2. O celular
Na mesma linha, o uso de celulares é diferente. De acordo com uma pesquisa da Softonic, enquanto a Geração Z passa cerca de seis horas por dia usando um smartphone, os baby boomers passam apenas três horas por dia com ele. Além disso, os baby boomers ainda o veem como uma ferramenta para fazer chamadas em primeira instância, enquanto os mais jovens consideram que essa função é reservada para últimos recursos e emergências.
3. O porquê das redes sociais
Para a Geração Z, ter uma presença na mídia social é quase uma necessidade em termos de desenvolvimento de trabalho ou de existência no mundo. Já para os baby boomers, a mídia social é mais uma maneira divertida de manter contato com a família e os amigos.
No entanto, eles também adoram as mídias sociais. Um estudo da Universidade do Colorado constatou que 60% dos baby boomers têm uma conta em pelo menos uma rede social, sendo o Facebook claramente a sua favorita.
Priorizar a vida pessoal ou a profissional
4. A razão de ser do trabalho
Os baby boomers cresceram e se desenvolveram profissionalmente em um mundo em que o trabalho garantia uma série de direitos e benefícios. Dessa forma, a ideia de subir na escada corporativa e prosperar na vida por meio do trabalho não só era possível como também era uma expectativa generalizada.
Em contrapartida, a Geração Z cresceu em um mundo pós-crise de 2008, em um contexto de precariedade.
De fato, é especialmente surpreendente que, considerando a faixa etária da Geração Z (entre 15 e 28 anos), um estudo publicado pela Arta Finance tenha revelado que 38% de seus membros já estão enfrentando uma crise de meia-idade. A principal causa apontada é a pressão exercida pela instabilidade financeira e a incerteza no mercado de trabalho.
5. A relação com o dinheiro
Segundo uma pesquisa da Morningstar, 33% da Geração Z conversa abertamente sobre dinheiro com suas famílias, em comparação com apenas 6% dos baby boomers. Isso faz sentido, já que a Geração Z tem mais a perder financeiramente e é a geração com maior probabilidade de se endividar.
6. Não sem meus valores
Como a falta de estabilidade financeira reduz o impacto e a importância dos frutos do trabalho na vida da Geração Z, seus membros estão menos dispostos a se submeter a qualquer emprego apenas pelo salário. Dessa forma, pelo menos, a atividade profissional que escolhem deve estar alinhada com seus valores e estilo de vida.
Um estudo da Deloitte revelou que a Geração Z é a que menos prioriza o salário ao escolher um emprego.
7. Equilíbrio entre vida pessoal e profissional
A Geração Z se recusa a aceitar jornadas de trabalho longas e mal remuneradas ou a seguir horários rígidos que limitem o resto de seu dia, algo que os baby boomers tendem a aceitar com mais naturalidade.
Para os zetas, manter um bom equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é fundamental, a ponto de ser um dos principais fatores que os motivam a se envolver em um emprego, segundo um estudo.
Por outro lado, os baby boomers podem não compreender totalmente as dificuldades financeiras enfrentadas pelos jovens hoje em dia e, consequentemente, também podem não entender essa postura adotada pela Geração Z.
Progresso ou idealismo
8. Preocupação com o meio ambiente
De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 55% da Geração Z considera a sustentabilidade o fator mais importante na hora de fazer uma compra, enquanto apenas 45% dos baby boomers compartilham dessa visão.
Isso se deve, em parte, ao fato de que a Geração Z cresceu ouvindo sobre a urgência da crise climática, enquanto os baby boomers só começaram a ter consciência dos impactos da industrialização e da degradação ambiental na década de 1970. Além disso, naquela época, essas questões tinham menos destaque no discurso público.
Isso ajuda a explicar por que a Geração Z frequentemente acusa os baby boomers de terem prejudicado o planeta, enquanto os boomers, por sua vez, veem os jovens como idealistas em excesso.
9. Um mundo mais inclusivo
Além da preocupação com o meio ambiente, a Geração Z também busca tornar o mundo um lugar mais inclusivo. Um estudo da McKinsey & Company revelou que 77% dos zetas que participaram da pesquisa desejam que seus locais de trabalho sejam mais diversos e inclusivos. Eles esperam que essa inclusão esteja presente em todos os níveis, desde os cargos mais baixos até as posições de liderança.
Por outro lado, para os baby boomers, que já estão deixando o mercado de trabalho, essa é uma pauta com a qual muitos não se identificam. Eles podem interpretar essa demanda como idealismo ou ativismo excessivamente confrontativo. Ao mesmo tempo, a Geração Z pode enxergá-los como pessoas antiquadas ou resistentes a mudanças.
Aguentar ou cuidar de si
10. Atitude em relação a afastamentos por doença
Os baby boomers cresceram com a mentalidade de "aguentar firme" diante de doenças, tanto físicas quanto mentais, priorizando o trabalho e as obrigações acima do bem-estar. Já a Geração Z tende a valorizar mais a própria saúde.
Nesse sentido, um estudo da Gusto concluiu que os trabalhadores das gerações mais jovens, especialmente aqueles que atuam remotamente, costumam tirar afastamentos mais longos por doença, além de fazer pausas sabáticas com mais frequência do que os profissionais mais velhos.
No entanto, a Geração Z não só considera tirar dias de licença por doença quando estão mal como algo necessário (e não uma fraqueza), mas também sente menos estigma em relação à saúde mental e é mais aberta a buscar ajuda profissional quando necessário.
11. O estigma das doenças mentais
Os baby boomers são mais resistentes à terapia, devido ao estigma ou à falta de valorização da saúde mental durante sua juventude. Além disso, eles podem interpretar a disposição da Geração Z de tirar dias por doença como uma falta de dedicação ou compromisso com o trabalho.
Por outro lado, a Geração Z vê o cuidado com a saúde como uma forma de manter a produtividade a longo prazo. A American Psychological Association confirma que essa é a geração mais propensa a buscar ajuda quando enfrenta problemas de saúde mental.
Nessa mesma linha, muitos baby boomers estão acostumados com um mundo em que férias e dias de folga eram mais exceções do que práticas comuns. Em contrapartida, a Geração Z acredita nos benefícios de uma vida mais equilibrada. Assim como não trabalhar quando se está doente, eles consideram que o tempo livre é essencial para a produtividade e a felicidade a longo prazo.
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