
Jornalista com sete anos de experiência em redação na área de beleza, saúde e bem-estar. Expert em skincare e vivências da maternidade.
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Se seu filho ou filha sabe o nome de vários dinossauros que você nem imaginava que existiam, passa horas brincando com os brinquedos jurássicos e corrige qualquer erro sobre o assunto que ouve por aí, você não precisa se preocupar — muito pelo contrário, pode comemorar bastante! Isso porque o fascínio por esses animais pode trazer muitos benefícios para a vida adulta.
Estudos mostram que crianças que desenvolvem interesses intensos, como a paixão por dinossauros, tendem a aprimorar certas habilidades cognitivas e emocionais ao longo da vida. Mas quais são essas habilidades? E por que esse interesse específico pode ser tão positivo? O neurocientista Willian Borghetti explicou ao MinhaVida.
1. Memória e capacidade de aprendizado
Os nomes científicos dos dinossauros não são nada fáceis, mas crianças apaixonadas por esses bichos conseguem memorizá-los com precisão. Esse esforço estimula a memória e aprimora a capacidade de retenção de informações. "Quando uma criança mergulha nesse mundo, ela está estimulando naturalmente a memória, a atenção e o raciocínio lógico", aponta Borghetti.
2. Foco e atenção prolongada
Diferente do consumo de conteúdos rápidos, como vídeos curtos nas redes sociais, o estudo dos dinossauros exige concentração. Esse interesse ativa o que os cientistas chamam de “atenção seletiva prolongada” — a capacidade de se aprofundar em um único tema por um longo período. Isso contribui para um aprendizado mais sólido e duradouro.
3. Pensamento crítico e resolução de problemas
Crianças que pesquisam sobre dinossauros aprendem a questionar, comparar informações e buscar respostas por conta própria. "Esse tipo de interesse demonstra foco, curiosidade e capacidade de lidar com temas desafiadores — características fundamentais para o pensamento crítico e para a autonomia intelectual no futuro", ressalta o neurocientista.
4. Criatividade e imaginação
Ao explorar diferentes espécies, habitats e períodos geológicos, as crianças criam narrativas e teorizam sobre o passado da nosso planeta. Esse processo fortalece a criatividade e a imaginação, habilidades essenciais para profissões inovadoras e artísticas.
5. Habilidade social e comunicação
Por fim, compartilhar conhecimentos sobre dinossauros pode ajudar na interação social. Crianças apaixonadas pelo tema adoram explicar suas descobertas para amigos e familiares, o que melhora a capacidade de comunicação e aumenta a confiança para falar em público.
Então, aproveite para incentivar essa paixão! Além de divertida, ela pode moldar habilidades importantes para o futuro. Como bem resume Borghetti: "O interesse por dinossauros exige que a criança investigue, faça perguntas, crie teorias e monte narrativas — ou seja, ela desenvolve pensamento criativo, organização mental e até habilidades sociais."
Como os pais podem estimular esse interesse de forma educativa?
Se seu filho ou filha é fascinado por dinossauros, você tem uma oportunidade incrível de transformar essa paixão em aprendizado, sem precisar forçar nada! De acordo com Willian Borghetti, a chave está em oferecer caminhos para que a criança explore esse universo de forma natural e envolvente.
"Estimular não é forçar — é oferecer meios para que esse interesse se transforme em aprendizado", explica Borghetti. Isso significa criar oportunidades para que a criança descubra novas informações e compartilhe o que já sabe, tornando o processo educativo e prazeroso ao mesmo tempo.
Esse estímulo pode acontecer por meio de livros, jogos, visitas a museus, desenhos e, principalmente, conversas em que a criança tenha espaço para ensinar o que sabe. “Aqui, o ‘E’ do método ALE — Estímulo — tem um papel fundamental: valorizar o interesse da criança com entusiasmo sincero, mostrar que ela é ouvida e criar oportunidades para que ela explore ainda mais esse universo”, destaca Borghetti.
Além disso, quando os adultos se conectam com os interesses da criança, ela se sente validada — o que fortalece o vínculo, a autoestima e a confiança na própria capacidade de aprender.
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