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Hanseníase (Lepra): o que é, sintomas e tratamentos

Visão Geral

O que é Hanseníase?

A hanseníase, conhecida também como lepra, é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae. A hanseníase não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada. A doença costuma evoluir lentamente e pode levar até 20 anos para que sinais e sintomas da infecção sejam detectados. (1,2)

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A doença atinge pele e nervos periféricos podendo levar a sérias incapacidades físicas. O alto potencial incapacitante da hanseníase está diretamente relacionado ao poder imunogênico do M. leprae.

A hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o território nacional e demanda avaliação dos contatantes intra-domiciliares. A notificação é feita pelo médico-assistente no Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Investigação.

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Atualmente, em todo o mundo, o tratamento é oferecido gratuitamente, visando que a lepra deixe de ser um problema de saúde pública. Atualmente, os países com maior detecção de casos são os menos desenvolvidos ou com superpopulação. Em 2016, o Ministério da Saúde registrou no Brasil mais de 28.000 casos novos da doença.

História da hanseníase

A hanseníase parece ser uma das mais antigas doenças que acomete o homem. As referências mais remotas datam de 600 a.C. e procedem da Ásia, que, juntamente com a África, são consideradas o berço da doença. A melhoria das condições de vida e o avanço do co­nhecimento científico modificaram o quadro da hanseníase, que há mais de 20 anos tem tratamento e cura. (1)

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Transmissão

A transmissão do M. leprae ainda não está completamente esclarecida. A transmissão se dá provavelmente por via respiratória, por meio de convivência muito próxima e prolongada com indivíduo que apresente a forma multibacilar. A transmissão ocorre mais provavelmente por contato com secreção nasal de nariz de indivíduos doentes que apresentem a forma lepromatosa (multibacilar), que não esteja sob tratamento, pois nesses indivíduos há uma grande quantidade de bacilos na secreção nasal. Tocar a pele do paciente não representa risco significativo de transmissão da hanseníase. Cerca de 90% da população têm defesa contra a doença. O período de incubação (tempo entre a aquisição da doença e da manifestação dos sinais e sintomas) varia de seis meses a cinco anos. A maneira como ela se manifesta varia de acordo com a genética de cada pessoa.

Tipos

Podemos classificar a doença em hanseníase paucibacilar, com poucos ou nenhum bacilo nos exames, ou multibacilar, com muitos bacilos. A forma multibacilar não tratada possui potencial de transmissão. A hanseníase pode se apresentar como manchas mais claras, vermelhas ou mais escuras, que são pouco visíveis e com limites imprecisos, com alteração da sensibilidade no local associado à perda de pelos e ausência de transpiração. Quando o nervo de uma área é afetado, surgem dormência, perda de tônus muscular e retrações dos dedos, com desenvolvimento de incapacidades físicas. Nas fases agudas, podem aparecer caroços (nódulos) e/ou inchaços (edema) nas partes mais frias do corpo, como orelhas, mãos, cotovelos e pés. (5,6)

Classificação da hanseníase:

1. Paucibacilar:

2. Multibacilar:

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Causas

A hanseníase é uma doença contagiosa que em 1941 teve sua primeira classificação. A doença possui longa evolução (de 2 a 10 anos) e é provocada por um bacilo intracelular - M. leprae - que atinge principalmente pele e nervos. O homem é o principal reservatório natural do bacilo, mas também pode ser encontrado em esquilos, macacos e principalmente tatus. Sua principal forma de transmissão é a respiratória.

Fatores de risco

A hanseníase pode atingir pessoas de todas as idades, contudo é a incidência é maior em homens. Como a doença demora para se manifestar é comum que só nos adultos os sinais e sintomas sejam observados, mas normalmente a hanseníase é adquirida ainda na infância. (1)

Os principais fatores de risco da hanseníase são:

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Sintomas

Sintomas de Hanseníase

Os sintomas da hanseníase incluem:

Se não for tratada, os sinais da hanseníase avançada podem incluir:

Buscando ajuda médica

Fique atento aos sintomas. Os principais da lepra são: sensação de formigamento, dormência nas extremidades, manchas brancas e perda de sensibilidade da pele na área das manchas. Se eles persistirem, procure um especialista e explique a ele o que está sentindo. Aproveite e tire todas as suas dúvidas.

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Diagnóstico e Exames

Na consulta médica

Especialistas que podem diagnosticar a hanseníase são:

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

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Também é importante levar suas dúvidas para a consulta por escrito, começando pela mais importante. Isso garante que você conseguirá respostas para todas as perguntas relevantes antes da consulta acabar. Para hanseníase, algumas perguntas básicas incluem:

Não hesite em fazer outras perguntas, caso elas ocorram no momento da consulta.

Diagnóstico de Hanseníase

O diagnóstico de caso de hanseníase é inicialmente clínico e epidemiológico, realizado por meio de exames dermatológicos e neurológicos para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.

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Exames

Os principais exames para confirmação da hanseníase são:

Tratamento e Cuidados

Tratamento de Hanseníase

O tratamento é gratuito e fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Varia de seis meses nas formas paucibacilares a um ano nos multibacilares, podendo ser prorrogado ou feita a substituição da medicação em casos especiais. O tratamento é eficaz e curativo. Após a primeira dose da medicação não há mais risco de transmissão durante o tratamento e o paciente pode conviver em meio à sociedade. O tratamento da hanseníase é administrado por via oral, consiste na associação de dois ou três medicamentos e é denominado poliquimioterapia.

Os antimicrobianos usualmente utilizados no tratamento são a rifampicina, dapsona e clofazimina. E embora o tratamento possa curar a doença e evitar a sua progressão (piora) que piore, não reverte os danos nos nervos ou a desfiguração física que podem ter ocorrido antes do diagnóstico. Assim, é muito importante que a doença seja diagnosticada o mais cedo possível, antes que ocorra qualquer lesão permanente do sistema nervoso.

Convivendo (prognóstico)

Hanseníase tem cura?

A hanseníase tem cura. A cura é mais fácil e rápida quanto mais precoce for o diagnóstico.

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Complicações possíveis

Convivendo/ Prognóstico

Muitas pessoas são expostas à hanseníase em todo o mundo, mas a doença não é altamente contagiosa. Portanto, após o início do tratamento o paciente não precisa mais estar em isolamento, pois os riscos de transmissão são reduzidos. Contudo, é essencial que ao entrar em contato com alguém com hanseníase ou em uma região de risco, as pessoas façam exames para ver se a doença foi adquirida e evitar suas complicações.

Prevenção

Prevenção

A prevenção da hanseníase baseia-se em em medidas básicas de higiene (lavagem de mãos) e aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.

O que é a vacina BCG?

A vacina é composta pelo bacilo de Calmette & Guérin, obtido pela atenuação do Mycobacterium bovis, umas das bactérias que causam a tuberculose. No Brasil, a vacina faz parte do calendário obrigatório.

O Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde no Brasil recomenda atualmente a vacinação universal das crianças contra tuberculose. É importante que seja dada logo ao recém-nascido. Se isso não for possível, deve ser ministrada após o primeiro mês de vida. Ela pode ser tomada por crianças com sorologia positiva de HIV que não apresentam sintomas, ou filhos de mulheres soropositivas assintomáticas.

Referências

Ministério da Saúde

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(1) Ministério da Saúde

(2) Sociedade Brasileira de Dermatologia

(3) Mayo Clinic

(4) Centers for Disease Control and Prevention (CDC)

(5) National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIH)

(6) Ana Célia Xavier, dermatologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Jorge Sampaio, médico assessor para Microbiologia do Fleury Medicina e Saúde